A guerra dos chips em 2026: Como a China está contornando as sanções de semicondutores dos EUA
Quando a administração Biden impôs rígidos controles de exportação de semicondutores avançados em outubro de 2022 — e os expandiu ao longo de 2023 e 2024 — o objetivo declarado era desacelerar o desenvolvimento de IA da China, cortando o acesso às GPUs A100 e H100 da NVIDIA.
A estratégia não funcionou como pretendido.
A rota da eficiência
Os laboratórios de IA da China responderam à escassez de chips não paralisando suas atividades, mas inovando em torno da restrição. O treinamento do V3 pela DeepSeek em chips H800 mais antigos (uma variante de exportação rebaixada) por menos de US$ 6 milhões provou que a eficiência algorítmica poderia compensar a desvantagem do hardware.
Essa abordagem — treinar modelos de forma mais inteligente, não apenas maior — tornou-se uma vantagem competitiva. Os modelos chineses rotineiramente se igualam ou superam seus equivalentes americanos treinados em computação vastamente mais cara.
Progresso no setor de semicondutores domésticos
A SMIC, principal fabricante de chips da China, fez avanços significativos na tecnologia de processo de 7nm e 5nm, apesar de ter sido cortada das máquinas de litografia ultravioleta extrema (EUV) da ASML. Embora atrás da tecnologia de ponta da TSMC, o progresso da SMIC tem sido mais rápido do que a maioria dos analistas ocidentais projetava.
O chip acelerador de IA Ascend 910B da Huawei, fabricado pela SMIC, está agora sendo implantado em data centers chineses como um substituto doméstico para as GPUs da NVIDIA. Os benchmarks de desempenho permanecem abaixo do H100 da NVIDIA, mas a diferença está diminuindo.
O paradoxo geopolítico
Os controles de exportação dos EUA foram projetados para manter a liderança americana em IA. A consequência não intencional: os laboratórios chineses focaram na eficiência e no código aberto — áreas em que agora lideram — enquanto os laboratórios dos EUA continuaram expandindo modelos proprietários intensivos em computação.
A guerra dos chips acelerou o desenvolvimento da IA chinesa de maneiras que o puro investimento nunca teria feito. A necessidade, no fim das contas, é a mãe da inovação.
Com informações da Semiconductor Digest e da Reuters.